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"Disseram-me: verás quando tiveres cinqüenta anos. Tenho cinqüenta anos: não vi nada". Erik Satie



























avant-dernières pensées
30.9.07

Volver a empezar

Baixo Gávea, duas da manhã. Na mesa em frente à minha, um casal se beijava. Normal, né? Não. Aquele visual não bateu bem, desafinou, e eu não entendi porque. Foi quando me dei conta de que eu estava estranhando a idade do casal. Eles podiam ser meus pais, um pouco mais novos, meus tios. Meus tios beijando de língua no Baixo Gávea. Pô, num rola, né? E eles nem aí, beijando de olhos fechados no meio da muvuca, língua pra cá, língua pra lá. Pareceu feio, mesmo pra mim, uma admiradora contumaz do beijo na boca alheia. Tem gente que fala: Po, essa coisa de ficar vendo a língua dos outros e tal. Eu não. Eu acho lindo. Acho mó tesão ver gente se beijando com vontade. É ou não é? Mas tipo meus praticamente tios se beijando no BG, não. Nadavê.

Quedei-me a pensar sobre isso, quase como uma continuidade aí das idéias do post anterior. O tempo tem me tirado o sono, o tempo tem me deixado de cabelos brancos! No entanto, ainda tenho esses pensamentos de adolescente babaca, ainda me incomodo com um casal de coroas se beijando de língua! Mesmo depois de everything that's been seen, said and done? Putz. Com vergonha de mim mesma, fiquei pensando no que será de mim quando eu tiver a idade dos meus tios. Terei alguém pra beijar no Baixo Gávea? Será que os coroas também dão perdido nas coroas? Será que eles continuam fugindo como esquilinhos selvagens e dizendo: To todo enrolado, to todo enrolado, to todo enrolado...


Cartaz de Volver a empezar chamado, aqui no Brasil, de Começar de novo. Um belo filme espanhol de 1982 sobre o amor na maturidade. Dos tempos em que o arco-íris ainda não era simbolo gay popular e universal. Não esquecer também, neste assunto, do lindíssimo Chuvas de Verão. Aquela cena de Jofre Soares e Miriam Pires é de chorar de linda!

4:41 AM Comments:

25.9.07

El tiempo passa

Po, desculpem aí. Mas eu tava aqui ouvindo uma rádio maneira, a Last FM, e começou a tocar o Samba da Bênção, e aí o Vinícius começou a declamar aquelas coisas, a vida é a arte do encontro e tal. E de repente eu me dei conta de que aquilo é datado, é anos 70, e que hoje em dia é chatíssimo. E que até eu acho isso chato, aquela bebedeira feliz do poetinha. E depois me deu uma tristeza, pq ele fala de pessoas que ninguém mais sabe quem são, apesar de toda a sua importância pro mundo, apesar de elas terem feito coisas legais que muita gente imitou.

A transitoriedade da vida, a impermanência, o tempo que atropela tudo com seu passo de mamute, a vida curta, mas larga. ÔÔpa!, quase que eu dei uma de Vinícius... rs


Vinicius, aos quinze

2:48 AM Comments:

19.9.07

Sem assunto

Ando assim sem assunto aqui no blog, como todos devem ter percebido. Os acessos caíram e sei que em breve estarei aqui sozinha, falando pras paredes virtuais, lembrando de como era bom o tempo em que pessoas vinham fazer comentários incríveis...

Enquanto isso, e antes que seja tarde, deixo falando por mim uma musiquinha de minha autoria, executada (mas passa bem) na semana passada na Sala Baden Powell, com Marcus Nabuco e Fernando Caneca aos violões. A música se chama Disseram. No www.myspace.com/andreadutra tem a gravação original dela. Espero que gostem. E comentem... hahuahauahua

Olha eu aqui, enfim usando a internet em causa própria e perturbando o saco de todo mundo com meus assuntos pessoais...


Allan Sieber

10:49 AM Comments:

15.9.07

Meninos, eu vi

Sorry, periferia

Murada da Urca, 13 setembro, 2007, 7h43 am

* sobre a data e a hora na foto: grrrrrrrr alguém mexeu na minha camera e colocou essa coisa hedionda que eu não consegui tirar

4:28 PM Comments:

12.9.07

Cenas de um domingo no Rio


Dois irmãos, coisa mais linda...


O Binário ensaia todo domingo na praia de Ipanema, muito bom! O som é pesadão e as crianças adoraram!



4:47 AM Comments:

1.9.07

Universo Gentileza

Entrei na Leader Magazine do Botafogo Escada Shopping e peguei umas roupas pra experimentar. A mocinha que fica na porta do provador conta os cabides e entrega ao cliente uma ficha com o número correspondente. A mocinha não estava nada bem, expressão dura, antipática. Sorri: São 9 peças. Ela, quase sem me olhar, me entregou uma ficha com o numero 6 e disse, entredentes: Não pode entrar tanta roupa... Que tromba, pensei, caraca! Sorri de volta: Ok, entao venho buscar essa roupa aí daqui a pouco. Quando voltei, perguntei pela roupa: Onde está a blusa que deixei aqui? Ela, sem me olhar, novamente, apontou o local com a cabeça, como fazem os caubóis nos filmes. Aquilo me irritou, eu a tinha tratado bem. virei as costas e fui pensando, como é bem a minha cara: De repente ela tá com um problemão hiper sério, uma doença na família, vai ver o aluguel venceu e ela nao tem como pagar, o filho tá doente e nao tem com quem ficar, e ela nao pode faltar o serviço... Ela nao tem obrigação de sorrir, conclui. Quando sai do provador, segurei as roupas que prestaram numa mão e perguntei o que fazer com as outras. Ela com aquela marra, aquela cara nojenta, estendeu a mão: Pode deixar aqui, mesmo.

Fui espumando pro caixa... aquela vaca estava me tratando mal só porque eu sou a madame e ela está me servindo? Só pode ser isso! eu a tratei tão bem! Ela não percebeu que a vida é um ciclo de serviços e que até o Bill Gates tem a quem servir? Que burra! Aquilo me subiu à cabeça e eu voltei ao provador. Falei muito baixo, tipo "dando um toque": Olha só, eu acho que vc deveria pensar em tratar as pessoas como vc gostaria de ser tratada. Pensa nisso... Ela reagiu falando alto: Eu tratei a senhora mal, por acaso? E eu: Tratou sim, e o problema aqui nao é esse. Eu vou sair daqui, vou esquecer isso tudo em um minuto, e vc vai carregar esse humor péssimo dentro de vc, pelo seu dia inteiro, e vai distribuir isso pelas pessoas que passarem por vc. Pensa nisso quando vc estiver na sua casa, em como vc gostaria de ser tratada. Vc vai entender direitinho o que eu to dizendo...

Sai de lá sorridente, achando que fiz uma boa ação, que o bem venceu o mal, que espalhei uma mensagem positiva em vez de só dizer pra ela que ela é grossa.

A mulher deve estar até hoje me chamando de vaca pra baixo.


From here to eternity ou Assim caminha a humanidade


11:37 PM Comments:

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